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Esteatose hepática (gordura no fígado): causas, exames e tratamento

Por Redação Imag · atualizado em 15/05/2026

Exames que investigam

O médico define quais são necessários no seu caso.

Em resumo

  • Esteatose hepática é o **acúmulo de gordura nas células do fígado** — atinge cerca de 30% dos adultos no Brasil.
  • Forma mais comum: **doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA)** — ligada à obesidade, diabetes e síndrome metabólica.
  • Geralmente **assintomática** — descoberta em ultrassom de rotina ou TGP elevada.
  • Em parte dos casos evolui para **esteato-hepatite (NASH)**, fibrose e cirrose.
  • Tratamento principal: **perda de peso 5-10%**, atividade física, controle de diabetes e lipídios.

O que é esteatose hepática

O fígado é responsável pelo metabolismo das gorduras. Quando o aporte (dieta, síntese) supera a capacidade de eliminação, **a gordura acumula-se dentro dos hepatócitos** — células do fígado. Isso é a esteatose.

Em geral, considera-se esteatose quando mais de 5% das células hepáticas têm gotículas de gordura no interior.

Tipos

Doença hepática gordurosa não-alcoólica (DHGNA)

  • Forma mais comum hoje
  • Ligada a obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica
  • Renomeada recentemente para **MASLD** (Metabolic Associated Steatotic Liver Disease)

Subtipos:

  • **Esteatose simples**: só acúmulo de gordura
  • **Esteato-hepatite (NASH)**: gordura + inflamação + lesão celular — risco de progressão
  • **Fibrose** e **cirrose**: estágios avançados

Doença hepática alcoólica

  • Causada por consumo crônico de álcool
  • Pode ter os mesmos estágios

Outras causas

  • Medicamentos (corticoide, tamoxifeno, metotrexato, antirretrovirais)
  • Dietas hipercalóricas e ricas em frutose
  • Perda de peso muito rápida (pós-bariátrica precoce)
  • Doenças metabólicas raras (doença de Wilson, abetalipoproteinemia)
  • Hepatite C crônica
  • Hipotireoidismo, hipopituitarismo

Fatores de risco

  • Obesidade (especialmente abdominal)
  • Diabetes tipo 2
  • Dislipidemia (triglicerídeos altos, HDL baixo)
  • Hipertensão
  • Resistência insulínica
  • Sedentarismo
  • Idade > 40 anos
  • Histórico familiar
  • Consumo excessivo de açúcar e ultraprocessados

Sintomas

A esteatose simples é **geralmente assintomática**. Quando há sintomas, podem incluir:

  • Cansaço inespecífico
  • Sensação de peso ou desconforto leve no quadrante superior direito do abdome
  • Em estágios avançados (cirrose): icterícia, ascite, edema, sangramento gastrointestinal, encefalopatia

Por ser silenciosa, muitas vezes é descoberta em **exames de rotina** — ultrassom solicitado por outra razão ou TGP elevada em check-up.

Diagnóstico

Exames laboratoriais

  • **TGP (ALT)** — frequentemente elevada (leve a moderada)
  • TGO (AST), GGT, fosfatase alcalina
  • Albumina, tempo de protrombina (avaliação de função)
  • Ferritina e saturação de transferrina (excluir hemocromatose)
  • Sorologias virais (HBsAg, anti-HCV) — excluir hepatites
  • Lipidograma, glicemia, HbA1c
  • TSH (hipotireoidismo está associado)

Exames de imagem

  1. **Ultrassonografia do abdome** — exame inicial mais usado

- Detecta esteatose moderada/importante - Sensibilidade ~70% para esteatose leve, ~90% para esteatose importante - Sem radiação, sem contraste, acessível

  1. **Elastografia hepática (FibroScan ou ARFI)** — avalia rigidez hepática (fibrose)

- Mais sensível que ultrassom para quantificar gordura - Não invasivo

  1. **Ressonância magnética com sequências específicas (MRI-PDFF)** — quantificação precisa de gordura hepática

- Padrão-ouro não invasivo

  1. **Tomografia computadorizada** — pode sugerir esteatose, mas não é o melhor exame
  2. **Biópsia hepática** — padrão-ouro histológico

- Reservada para casos selecionados (suspeita de NASH com fibrose, diagnóstico incerto)

A Imag VSA realiza ultrassonografia do abdome, ressonância e elastografia hepática (consulte disponibilidade). A unidade Igarassu realiza ultrassonografia.

Tratamento

Pilar 1: perda de peso

  • **5-10% de redução** do peso corporal já melhora significativamente a esteatose
  • A perda de 10% pode regredir até fibrose leve
  • Dieta balanceada com déficit calórico moderado

Pilar 2: atividade física

  • 150-300 minutos/semana de atividade aeróbica de intensidade moderada
  • Combinar com treino de força 2-3x/semana
  • Reduz gordura visceral e melhora resistência insulínica

Pilar 3: dieta

  • Reduzir açúcar e frutose (refrigerantes, sucos industrializados)
  • Reduzir ultraprocessados
  • Aumentar fibras (vegetais, frutas, integrais)
  • Padrão **mediterrâneo** tem boa evidência
  • Limitar gordura saturada

Pilar 4: controle das comorbidades

  • Diabetes — controlar HbA1c
  • Dislipidemia — estatina (segura em esteatose, pode até ajudar)
  • Hipertensão — controle adequado

Pilar 5: medicações específicas

Atualmente sem aprovação para esteatose simples no Brasil. Em casos selecionados de NASH:

  • Vitamina E (não diabéticos, sob avaliação)
  • Pioglitazona (em diabéticos selecionados)
  • Novos fármacos (resmetirom — aprovado FDA 2024 para NASH com fibrose)

Pilar 6: evitar álcool

  • Idealmente abstinência ou consumo muito moderado

Acompanhamento

  • TGP a cada 6-12 meses
  • Ultrassom abdominal anual (ou conforme indicação)
  • Elastografia em casos selecionados (acompanhar fibrose)
  • Rastreio de carcinoma hepatocelular se houver cirrose

Quando procurar atendimento

  • Achado de esteatose em exame de imagem
  • TGP elevada em check-up
  • Sintomas de doença hepática avançada (icterícia, ascite, sangramento)
  • Histórico familiar de cirrose ou câncer de fígado

Onde realizar exames na Imag

  • **Imag VSA** — ultrassonografia abdominal, ressonância magnética (incluindo MRI-PDFF), elastografia hepática, exames laboratoriais
  • **Imag Igarassu** — ultrassonografia abdominal, exames laboratoriais

Conteúdo informativo. Não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Esteatose hepática é grave?

Depende do estágio. A esteatose simples (apenas gordura) é geralmente benigna e reversível com mudança de hábitos. Mas em parte dos pacientes evolui para esteato-hepatite (NASH) — com inflamação — e pode progredir para fibrose, cirrose e até câncer de fígado. Por isso o acompanhamento é importante.

Qual o melhor exame para detectar esteatose?

A ultrassonografia do abdome é o exame inicial mais utilizado — não invasivo, sem radiação, acessível e detecta esteatose moderada/importante. Para avaliar gravidade (fibrose) e quantificação precisa, usa-se elastografia hepática (FibroScan), ressonância magnética ou em casos específicos, biópsia.

Pessoa magra pode ter esteatose hepática?

Sim. Cerca de 10-20% dos casos ocorrem em pessoas com peso normal — geralmente associada a resistência insulínica, dislipidemia, predisposição genética ou dieta rica em frutose. Por isso pode aparecer mesmo em pessoas sem sobrepeso aparente.

Esteatose hepática tem cura?

Sim. A esteatose simples é reversível na maioria dos casos com mudança de estilo de vida. Perda de peso de 5-10%, dieta com redução de açúcar e gordura saturada, e atividade física regular conseguem regredir significativamente a gordura no fígado em 3-6 meses.

Existe remédio para esteatose?

Atualmente NÃO existe medicamento aprovado especificamente para esteatose simples. O tratamento se concentra no controle das condições associadas (diabetes, dislipidemia, obesidade) e em mudanças de estilo de vida. Em casos selecionados de NASH, alguns medicamentos podem ser usados sob avaliação especializada (vitamina E, pioglitazona, novos fármacos).

Posso beber álcool com esteatose?

Idealmente NÃO. Mesmo na esteatose não-alcoólica, o álcool acelera a progressão para fibrose e cirrose. Recomendamos abstinência ou consumo muito moderado, sob orientação médica.

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